segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Dúvidas na casa dos 40? Já pensou em apostar nos concursos?


Quem acompanha futebol por certo já se deparou com essa situação diversas vezes. É raro, mas jamais impossível, assistir a um time escapar de uma derrota e virar o placar a poucos minutos do final da partida. O que dizer, então, da possibilidade de reverter o jogo aos 40 ou 45, ainda do primeiro tempo? Essa é a experiência vivida por muitos brasileiros que, em busca de novos ares e oportunidades profissionais, apostam nos concursos quando já percorrem a casa dos 40. Afinal, sempre é tempo de apostar na carreira pública. Mas, para esse perfil específico de concurseiros, há algumas dicas valiosas. Autoconhecimento, planejamento, pesquisa e autoavaliação. Essas são as quatro etapas que devem ser percorridas pelas pessoas nesta faixa etária que querem mudar de vida através dos concursos. Ao menos esse é o método proposto pelo coach de carreira e orientador profissional Maurício Sampaio. Ele que garante que, ao passar por essas quatro fases, os "quarentões" conseguem diminuir em até 80% os riscos de escolherem errado a nova carreira, o que poderia gerar frustrações no futuro.


"A primeira etapa é trabalhar muito a questão do autoconhecimento, que é saber exatamente o que você gosta. Têm várias pessoas que escolhem um concurso e depois vão descobrir que não têm nada a ver com aquela carreira, e acabam gastando tempo de preparo, energia e dinheiro. Outra coisa importante é estabelecer um planejamento, essencial para quem quer ser aprovado em um concurso público. É um planejamento de tempo e de dinheiro. De tempo porque a pessoa precisa dele para se preparar tecnicamente. E financeiro, pois muitos deixam de trabalhar justamente para prestar concurso público. O terceiro passo é a pesquisa. É preciso pesquisar, principalmente, as vagas que estão sendo oferecidas. Saber o que a vaga oferece, o que é o dia a dia da função, porque além do lado financeiro, é preciso levar em consideração o lado emocional. Por último é a autoavaliação. Se é um planejamento de mudança no tempo de um ano, por exemplo, uma vez por mês, pelo menos, deve-se olhar a trajetória percorrida e observar se está no caminho certo, se está funcionando aquilo que foi planejado, o que precisa ser mudado, o que precisa ser revisto", explica o orientador profissional.

Segundo Maurício Sampaio, prestar concursos na casa dos 40 anos, além de ser uma resposta possível aos questionamentos naturais desta fase da vida, pode ser uma estratégia muito positiva - desde que fruto de uma decisão tomada de forma consciente. "A inconsciência seria se inscrever numa disputa dessas somente porque acha que deve fazer. É preciso ter o planejamento e saber se é isso mesmo que se quer. Talvez a pessoa não tenha 100% de certeza disso. Mas, se esse grau de convicção atingir ao menos 80%, já ajuda muito. Esse método de quatro etapas que eu defendo - autoconhecimento, planejamento, pesquisa e autoavaliação - pode reduzir a quase zero as chances de erro de escolha profissional". Para o coach de carreiras, o maior desafio para aqueles que topam encarar este desafio é justamente passar pelo método que ele propõe. "Se a pessoa não conseguir fazer esse processo sozinha, é sempre bom contratar um profissional especializado. Existem algumas universidades públicas que oferecem gratuitamente o programa de orientação vocacional, geralmente inserido nos departamentos de Psicologia", destaca Maurício.

De acordo com o orientador, é difícil traçar um perfil específico dessas pessoas. "O que observo muito é que esta faixa, por volta dos 40 anos, é mais suscetível a essa mudança. Quem está na casa dos 38 aos 47 anos de idade, em geral, já está há muito tempo dentro de um trabalho. Muitos estão cansados da rotina da empresa onde trabalham. Alguns têm aquele sentimento de insegurança de, a qualquer hora, serem mandados embora. Todos necessitam de uma segurança financeira maior. Existem também aqueles que abdicaram da própria família para doar o sangue pela empresa e agora querem ter um contato mais próximo com a família, com mais tempo", explica ele, lembrando que, para todos esses perfis, a carreira pública pode ser uma boa opção.

Um desses "quarentões" que só agora atentaram para a possibilidade de prestar concurso é o administrador de empresas Celso Pomp, de 44 anos, que sempre trabalhou na iniciativa privada. Para ele, o salário e a estabilidade são os maiores atrativos. "Passei a minha vida toda em empresas privadas e eu sempre gostei de trabalhar nelas. Mas, nos últimos anos, os salários neste campo ficaram achatados, enquanto os do setor público começaram a se elevar bastante. A expectativa salarial, na carreira de servidor, tem sido mais atraente. Comecei a pensar em prestar concurso há pouco tempo", explica Celso, que atualmente está se preparando para as próximas provas da Receita Federal, concurso que deverá ser realizado em breve - leia matéria AQUI.

Ao ser questionado se há arrependimento por não ter prestado concursos quando mais novo, ainda no início de sua caminhada profissional, Celso diz que prefere olhar para frente. "É lógico que se eu tivesse pensado em fazê-los antes eu teria que me dedicar menos do que tenho que me dedicar agora. Antigamente, a maior parte das pessoas preferia ir para iniciativa privada, não havia toda essa cultura de concursos. Então, quando você concorria a uma vaga no setor público, disputava com menos pessoas, ou talvez com pessoas que se preparavam menos. Em geral, o nível de cobrança era muito menor. Agora, a situação é outra", opina ele, apontando para o fato de o mercado de concursos, como um todo, estar cada vez mais profissionalizado. "Apesar disso, vou em frente em meu projeto de concorrer às vagas nas áreas administrativas e federais", concluiu.


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