terça-feira, 29 de julho de 2014

Especialista orienta como evitar 'pane' no dia da prova


Estudar, comer. Estudar, dormir. Acordar para estudar. Tempo escasso para se divertir e até mesmo descansar. Eis a rotina conhecida de todo concurseiro típico que, em meio a livros, cadernos e anotações, ainda convive com a pressão e a angústia pela aprovação. Fatores que só aumentam a cada minuto, conforme se aproxima o dia da prova. Sentimentos naturais, sem dúvida. Mas que, quando não controlados, podem se revelar adversários internos que, no momento crucial, podem atrapalhar o desempenho e colocar em xeque toda a preparação. Fazer a sonhada aprovação escorrer por entre os dedos, ir por água abaixo. Para baixar o nível de estresse no dia da prova, a consultora em concursos públicos Lia Salgado indica a prática de atividade aeróbica durante toda a preparação. "Ela ajuda a controlar os níveis de estresse e também produz neurotransmissores, o que é excelente", justifica. Diminuir o ritmo de estudos na última semana também é recomendação da consultora. "Utilize esse tempo apenas para as revisões finais e memorização de detalhes, como fórmulas e prazos", aconselha.


Caso não consiga controlar a ansiedade, o candidato poderá ter sérios problemas, ainda mais se tiver algum problema de saúde. João Paulo Jund, assistente jurídico de 24 anos, conta que no momento da realização do exame da OAB, não conseguiu conter os nervos. "Eu tenho diabetes e, por causa da ansiedade, tive picos de alta e baixa glicemia". João acabou reprovado em meio ao cansaço, visão turva e sudorese, sintomas clássicos da instabilidade glicêmica. A fim de evitar complicação como essa justo na hora da prova, Lia Salgado recomenda "desligar" o cérebro durante as 24 horas que antecedem a avaliação. O objetivo é descansar o corpo e a mente. "Uma caminhada ajuda para o equilíbrio do candidato. A atividade lúdica é boa para relaxar e distrair o concorrente da expectativa em relação ao dia seguinte. Estar com amigos ou assistir a um bom filme também ajuda a tirar o foco da avaliação. Mas, é bom ressaltar, qualquer atividade neste sentido deve ser feita sem exageros", aconselha. Evitar bebidas alcóolicas, que comprometem o bom funcionamente do cérebro, e se alimentar de maneira leve e saudável são outras dicas para a véspera.

É na véspera, aliás, que o candidato deve se organizar para a prova. Deixar para o próprio dia a separação de documentos e materiais é um risco que não pode ser experimentado. Concurseira experiente e aprovada em três concursos para a área jurídica do Estado do Rio de Janeiro, o último para analista processual do Ministério Público, Débora Alves de Oliveira faz um alerta neste sentido. "Na véspera da prova é hora de organizar tudo que será necessário: documentação, lanche, comprovante de inscrição...", enumera. Sem esse cuidado, o risco de alguma coisa falhar na hora da avaliação aumenta. Foi o que aconteceu com Vinicius Augusto Henrique, policial civil que, quando foi fazer o teste físico para ingressar na instituição, esqueceu o exame médico. Um parente precisou se deslocar cerca de 30 km para levar o documento a tempo. Foram momentos de angústia dispensáveis. "Passei um nervosismo desnecessário antes de uma avaliação bem difícil. Outras pessoas tiveram esse mesmo problema. Algumas até foram eliminadas por isso", conta.

Uma boa noite de sono no dia anterior também é fundamental. Muitas vezes, a insônia prejudica o candidato. Carine Salvaterra, professora de Educação Física de 28 anos, dormiu bem no meio do vestibular. "Eu lembro que fui fazer a prova e as questões de História continham textos gigantes. Apaguei e acordei com uma candidata olhando pra mim", se diverte ela, hoje. Para evitar situações peculiares como essa, Lia Salgado recomenda beber um chá natural e fazer respirações pausadas e profundas na hora de dormir. Mas recorrer a remédios, do tipo tranquilizantes, nem pensar. "São perigosos. Ainda mais em véspera de prova, já que o candidato precisará estar com o cérebro em excelente desempenho", atesta. Neste dia, o candidato deverá ter calculado o tempo para chegar ao local, de preferência tendo feito o percurso no mesmo dia da semana e hora da avaliação. "Sempre procuro sair com muita antecedência para chegar tranquila e poder escolher um bom lugar para sentar, de preferência sem sol ou fora do alcance direto do ar-condicionado", aconselha Débora.

O auge do nervosismo é o momento da prova. Enquanto estiver fazendo as questões, Lia recomenda o consumo de carboidrato a cada três horas, o que ajuda a manter o cérebro ativo. "O candidato deverá levar barra de cereais, frutas ou biscoitos para a sala, desde que não haja proibições indicadas no edital", afirma. E para administrar o tempo para responder às questões, motivo de desespero de muitos, a especialista ensina que a ordem de respostas das disciplinas deverá ser escolhida na semana anterior, e não em cima da hora. "É preciso reservar 30 minutos, aproximadamente, para a marcação do cartão-resposta. Feito isso, o candidato pode dividir o tempo que restou pelo número de questões que haverá em cada disciplina, observando as questões com cálculo, que costumam ocupar mais tempo. Por fim, reservar 15 minutos como uma espécie de coringa, para qualquer eventualidade". Lia Salgado lembra que o nervosismo no dia da prova é comum. Mas reforça que, a essa altura, o que tinha que ser estudado e assimilado já foi feito. Portanto, nesta hora não há tempo e nem concentração a perder. "O importante é ser capaz de obter o melhor resultado com o conhecimento que se tem", finaliza.



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