quinta-feira, 10 de abril de 2014

Adilson Cabral | Um concurseiro ligado no TRT de sucesso!


Colegas Concurseiros.

Segue a história do concurseiro ligado no TRT Adilson Cabral, aprovado no concurso do TRT de Campinas para o cargo de analista judiciário - área administrativa.

Que sirva de exemplo! Leiam!

Olhando pra trás, vejo que tudo valeu a pena. Vejo que acertei em não desistir, em levantar e tentar novamente. E é para isto que espero que minha história sirva: para que quem a leia levante e continue tentando, até conseguir.

Quando comecei a estudar para concursos, por volta do ano 2000, ainda não existia internet, os editais saiam publicados apenas em jornais, a inscrição era feita diretamente em agência bancária específica, não havia acesso fácil a leis atualizadas ou a material de estudo. Vídeo-aula era um luxo inalcançável (não havia DVD, apenas fitas VHS). Eram outros tempos, os sacrifícios também eram outros. 

Logo após completar 18 anos e passar a famigerada ‘fase do Exército’ (dispensa do serviço militar obrigatório e retirada da Carteira de Reservista), passei um ano e meio entregando currículos e buscando a primeira oportunidade de emprego formal, sem sucesso e sem esperança alguma. Quando não faltava qualificação, faltava experiência. Neste ponto percebi que se o que eu buscava era oportunidade e meritocracia, deveria partir para a área de concursos. 

Minha primeira experiência foi bem sucedida: apesar de ter sido o 99º colocado no concurso dos Correios no final do ano 2000, para apenas duas vagas, acabei convocado em 2001. Depois dos exames médicos dos 100 primeiros colocados, restaram apenas duas pessoas aptas, e eu estava entre elas! Conheci um dos classificados que nem sequer se deu ao trabalho de ir fazer os exames, e somente após começar a trabalhar na Rede Postal Noturna e vestir com todo orgulho aquele uniforme amarelo e azul, é que me dei conta de que se não tivesse acreditado no impossível, não estaria ali. Esta foi a primeira grande demonstração, na minha vida, de que eu deveria acreditar mais e mais... E não foi a única.

Fui acreditando que poderia mais, se tentasse e me esforçasse. Apesar de os Correios serem uma excelente empresa, o salário era baixo, e eu precisava começar um curso universitário. Comecei a estudar no intervalo do trabalho, de madrugada (toda vez que vejo o ‘Corujão’ – quem tem insônia sabe do que estou falando – lembro-me que àquela hora estava eu na mesa do refeitório da empresa, estudando, cansado, sujo, molhado da chuva ás vezes, com sono, mas ali, diariamente, estudando).

Consegui ser aprovado em um concurso para Auxiliar Administrativo em uma empresa de economia mista de minha cidade, a Proguaru. Salário melhor, e me permitiria fazer uma faculdade. Foi o que fiz: assim que comecei no novo emprego, matriculei-me no curso de Administração. Na metade do curso, dois anos depois, houve concurso na mesma empresa, no cargo de Assistente de Folha de Pagamento, para uma vaga! Nesta época eu já gostava de desafios (imagine agora!!!), e arrisquei. Na primeira fase, cinco se classificariam para a fase de digitação (classificatória e eliminatória). Fiquei em terceiro lugar! No dia da prova de digitação, um dos concorrentes (o segundo lugar) era outro colega da mesma empresa, também auxiliar administrativo. Fizemos a prova e ao final, quando conversamos, ele me contou que por um equívoco acabou apagando parte do texto digitado para corrigir uma palavra, e que por conta disto não conseguiria atingir o mínimo determinado no edital (somos amigos até hoje, ele se formou em História na Usp e está muito bem hoje, lutando nos concursos do TRT também!) Quando saiu o resultado final, eu estava em segundo (mas mesmo assim ainda era apenas uma vaga). Quando convocaram o primeiro colocado, este desistiu, pois havia sido chamado no concurso do INSS. E finalmente fui nomeado, naquela única vaga (posteriormente abriu outra, um ano depois). 

Trabalhei quase três anos nesta empresa, estava no final da Faculdade de Administração, e as matérias voltadas para a área do Direito começaram a chamar minha atenção. Apesar de gostar muito desta empresa (como se fizesse parte de minha família, fiz grandes amigos, adquiri muitos valores pessoais e humanos lá), senti que poderia mais, e o que era desafiador, à época, era o Judiciário. Além do status, salário razoável e, principalmente, uma carreira. Foi nesta época, em 2004, que comprei meu primeiro Vade Mecum (não havia internet como há hoje, e mesmo as bibliotecas públicas não dispunham de leis atualizadas). Lembro-me que todo tempo livre que tinha (principalmente finais de semana) ia para o quintal de casa, sentava com um copo de café e lia até o sol se pôr. Perdi muitas festas da faculdade, perdi até mesmo a noiva na época, meses antes de marcarmos o casamento (hoje ela é minha melhor amiga, entende o porque daquela minha decisão à época, e tem um filho muito lindo, o Pietro!). 

Recordo que decorei de ponta a ponta aquele Vade Mecum verde da Rideel (lembro dele pois até pouco tempo atrás o guardava como recordação daqueles meses de estudo intensos!). Devo lembrar que fiz isto concomitantemente ao término da faculdade de Administração, com Trabalho de Conclusão de Curso, trabalho na Folha de Pagamento às vezes com necessidade de horas extras, diversas questões a resolver no serviço, e noivado indo por água abaixo... tudo ao mesmo tempo!  Tinha 22 anos à época, dez anos atrás. Como o tempo voa, e hoje vejo como tive sangue frio, coragem e fé (não que ache que mudou muito ao longo do tempo, mas pela minha inexperiência à época, acho que faria tudo de novo exatamente igual!).

Foi o concurso mais cansativo que já fiz até hoje: para quem acha que o TRT2 deste ano foi cruel com duas provas no mesmo dia (Técnico domingo de manhã e Analista à tarde), as provas do agora extinto 1º TAC (Primeiro Tribunal de Alçada Cível de São Paulo) em 2004 foram quatro, em apenas um final de semana: sábado de manhã e à tarde, e domingo de manhã e à tarde, com diferença de apenas uma hora entre a de manhã e a da tarde e em locais totalmente diferentes da cidade de São Paulo. Prestei para os quatro cargos: Auxiliar Judiciário, Escrevente Técnico, Oficial de Justiça e Agente de Fiscalização Judiciária. Lembro apenas que o de Agente de Fiscalização Judiciária foi no domingo à tarde, apenas uma vaga, e eu neste fiquei em primeiro lugar! Não foi meu primeiro ‘primeiro’ lugar (já havia ficado em primeiro no concurso do Anhembi Turismo – Cidade de São Paulo meses antes naquele ano, mas o então Prefeito José Serra revogou o concurso e acabei não sendo nomeado para Assistente de Departamento Pessoal), mas foi o primeiro em que gabaritei a prova. Percebi que era capaz de vencer a banca!

Também passei para Escrevente Técnico, meu objetivo inicial, mas o 1º TAC foi extinto em dezembro daquele mesmo ano (2004), antes que eu fosse chamado para este cargo (trabalhei lá como Agente de Fiscalização Judiciária por quase um ano). Aproveitei o embalo, e fiz o concurso do Tribunal de Justiça de São Paulo para Escrevente Técnico Judiciário, e passei em 3º para o polo da minha cidade (Guarulhos), tomando posse no ano seguinte, 2005. 
Lá fiquei quase cinco anos. Aprendi muito, muito mesmo! Também sofri, e como sofri, com a quantidade de trabalho e falta de estrutura. E digo que o que faltou (e falta) de estrutura, foi (e é) compensado pelo esforço de todos! Ali, na 2ª Vara Cível, e também nas amizades nas demais Varas, conheci algo que levo comigo até hoje: a educação pelo exemplo! Tanta era a quantidade de serviço, e o esforço de todos para dar conta, que não havia espaço nem tempo para discussões inúteis. Objetividade, prazo certo, cumprimento da lei... durante quase cinco anos fui moldado e disciplinado pelo TJ-SP e pelo exemplo maravilhoso de todos que estavam ao meu lado, indiscutivelmente TODOS!. Sempre serei grato a eles também. E lá, recebi incentivo para continuar tentando voos mais altos. 

Meu foco agora era algum cargo que exigisse nível superior, não pela remuneração em si, mas que utilizasse mais de meu potencial mental que minha coordenação motora (trabalhei no TJ numa época em que não apenas o Processo Digital era um sonho, como até o controle processual era feito em fichas de papel). Para treinar, comecei a fazer concursos da área Federal. E eis que, mesmo treinando, em 2009 passei para a Justiça Federal, como Técnico Judiciário! Fiz para testar meu desempenho, não era meu foco, mas já era um avanço salarial e de carreira (a carreira na J.F. era já naquela época mais estruturada que no T.J.S.P.). 

Fui trabalhar no Fórum Pedro Lessa, na Avenida Paulista (para minha infelicidade, já que estando nas primeiras turmas de nomeação, esperava ocupar vagas que existiam na minha cidade). Meu foco continuou, segui no ritmo até me sentir pronto para fazer a prova da ABIN (Agência Brasileira de Informações) em 2010, esta minha maior decepção na área de concursos. Foi meu último concurso do CESPE (fiz outros antes só para treinar). Passei nas últimas colocações para ser chamado para o curso de formação, mas eis que algumas semanas depois do resultado, a organizadora inverte o gabarito de duas questões. Até hoje não entendi, visto que para mim as questões estavam corretas. Perdi os pontos da questão que não acertei, e ainda perdi outros pontos por ter errado. Fui excluído do certame, desde então.

Demorou para me recuperar. Estava em minhas mãos, e de repente, não estava mais. Fui voltar a estudar só no ano seguinte, quando surgiu concurso da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, para Executivo Público (um cargo novo nesta Secretaria, de nível superior, com elevado grau de responsabilidade e independência na função). Mais que uma oportunidade de ocupar um cargo que proporcionasse desafios, era a grande chance de voltar a trabalhar em minha cidade. Não suportava mais gastar quatro a cinco horas de trânsito diariamente para trabalhar na capital: minha vida era só do trabalho para casa, naquele momento.

Havia outro desafio: eram apenas 3 vagas, sendo que apenas uma delas era na regional que eu realmente queria: ao lado de minha casa! Perfeito! Trabalhar na Avenida Paulista, o que inicialmente era um problema, passou a ser solução! A Livraria Martins Fontes (em frente ao Metrô Brigadeiro) passou a ser meu posto de estudo todas as manhãs! Li muito mais livros do que comprei! Fiz grandes amigos naquela livraria! Até hoje, quando passeio pela Paulista, não posso nunca deixar de ir lá, pois uma parte de mim mora ali! Os livros mais densos, como Manual de Contabilidade Pública, comprava e lia em pé no metrô, depois em pé no ônibus... cheguei até a tentar ler andando (um amigo meu conseguia!!!) mas aí já era demais pra mim, era meu limite. As quatro, cinco horas no trânsito passaram a ser cinco horas de estudo adicional! Se inventassem um livro a prova d’água naquela época, eu o compraria, com certeza! 

Sobre a prova, devo ressaltar que esta, apesar de não considerar a mais cansativa que já fiz, foi a mais completa. O Edital era gigantesco, exigia todo tipo de matéria que se pode exigir na área de Administração e Contabilidade Pública. Na parte da manhã, a prova objetiva, na parte da tarde, um parecer técnico. Eram por volta de 10.000 candidatos, se não estou enganado. Coloquei pra mim que era o primeiro lugar, ou nada! Eu tinha que provar para mim mesmo que era capaz, no concurso com o maior nível de exigência que já vi (quem fez este concurso sabe do que estou falando). Lembro que era o dia dos pais, em 2011. Fiz a prova de manhã, em um colégio religioso chamado Virgo Potens. À minha frente, na lousa, a imagem da Virgem Maria me acalmou da primeira à última questão. Saí para almoçar na casa de meus pais (era dia dos pais!). A anos não havíamos reunido a família inteira em um almoço (nem mesmo no natal e ano novo – eu estava sempre estudando para um concurso): meus pais, eu, meu irmão, minha sobrinha e minha cunhada, todos à mesa, como se fosse uma ceia de natal! Almocei muito feliz, e voltei para o colégio para fazer a prova discursiva. Saí à tarde com a certeza absoluta de ter cumprido minha missão, e de que podia muito mais, muito mais mesmo, desde que acreditasse! O que senti naquela sala de aula mudou minha vida de concurseiro para sempre. Fui primeiro lugar, mais de 10 pontos à frente do segundo colocado.

Então, em janeiro de 2010 vim trabalhar na Secretaria Estadual da Educação, como Executivo Público. Infelizmente, comprovei in loco as causas dos problemas da Educação de nosso país. Com certeza não é falta de dinheiro. E não é apenas em uma geração que resolveremos a questão. Percebi (e lamento aos colegas Executivos que lá ainda estão) que com exceção do bônus anual de desempenho, a promessa de desafios, de uma carreira estruturada e de condições de trabalho não se realizariam ali. Desde então, passei a estudar para os Tribunais do Trabalho. Passei anos na área de Recursos Humanos, em Folha de Pagamento, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas, Formado em Administração, era minha área! E principalmente, os tribunais que mais convocavam analistas formados em qualquer área de formação eram os TRTs (os TRFs raramente o fazem). Era a oportunidade! 

Fiz outros concursos de lá para cá, mas o foco era o TRT2, de São Paulo. Começando a estudar com três anos de antecedência, acreditava que dava um grande passo na frente dos demais concorrentes. E desde lá, comecei a acumular material, vídeos, PDFs, e estudando pouco a pouco, diariamente. Coloquei metas, mínimo a estudar diariamente, prazo mensal para revisar toda a matéria, quantidade de questões semanais a responder e porcentagem de acerto de simulados que deveria atingir.

Não deixei de fazer outras provas desde então. Tanto que passei em um concurso do órgão onde trabalho no Município de Guarulhos para Administrador, mas como eram apenas 3 vagas e estou em 15º colocado, acho difícil o milagre dos Correios acontecer duas vezes com a mesma pessoa... mas vim trabalhar neste mesmo órgão em outro cargo administrativo inferior, e aqui estou desde então.

Coloquei como foco que só faria provas de Tribunais do Trabalho, para o cargo de Analista, quando me sentisse realmente pronto, e isto ocorreu no TRT12 – Santa Catarina, em agosto de 2013. Fui plenamente confiante de que passaria! Estava certo de meu preparo! Fiz a melhor redação que já havia feito na vida! Quando saiu o resultado, fiquei fora da correção das redações por duas questões... e pior que isto, havia errado três das cinco questões de Gestão de Pessoas! Grande foi a decepção, já que sou especialista em RH! Como podia errar estas questões? E minha redação, que tinha feito com tanto esmero, iria para a lata do lixo! Que lástima!

Aí comecei a dar mais importância para a especificidade das provas de TRTs. É um mundo à parte, agora eu sei! Dei sorte de já conhecer o Portal Concurseiros Ligados no TRT! À época eu me assustava vendo que diariamente saía uma súmula nova do TST! Com o tempo fui me acostumando, me inteirando do que ocorria no mundo Trabalhista, e fui me sentindo mais confiante novamente. Comprei livros das matérias em que mais tinha problemas. Gestão de Pessoas, Administração Pública e Redação, as mais temidas por serem as mais subjetivas. Se este era meu ponto fraco, iria inverter esta situação!

Veio o TRT de Campinas. Em seguida, saiu o Edital do TRT de São Paulo, meu grande foco a anos! Desisti do TRT da Bahia, por conta dos problemas da remarcação da prova, e do foco que queria dar a Campinas e São Paulo. Por sorte, o edital era bem parecido, poderia estudar quase as mesmas matérias para os dois. Fiz então: dia 15 de dezembro. Todos saíram assustados com a prova discursiva e o tal tema, Balanced Scorecard. Neste ponto, devo agradecer ao concurso de Executivo Público, onde esta era uma das milhares de outras matérias de conhecimento obrigatório... não foi novidade para mim, ainda bem!

Estava muito feliz ao voltar para casa, estava certo que havia ido bem. Domingo à tarde, após a prova, entrei no facebook para ver possibilidade de recursos, quando acompanhei o ocorrido, desde o começo, que causou a anulação da prova discursiva. Já na segunda-feira tinha certeza de que algo aconteceria, e eis que, se não me engano na terça-feira à noite, veio a anulação da prova discursiva! Que balde de água fria! Senti-me como Rubens Barrichello na corrida em que, a metros de ganhar o grande prêmio, foi ultrapassado pelo heptacampeão Schumacher! Agora não! Agora não!!! Lembrei da ABIN! Lembrei da Anhembi Turismo e a revogação do concurso sem justificativa pelo Sr. Prefeito José Serra! 

Não consegui estudar para o TRT2 naquela semana! Quando saiu a remarcação da prova para dia 2 de fevereiro, sentei com calma em meu sofá, e tomei uma decisão com todas as partes de minha alma: não iria acabar ali! Não iria acontecer de novo! Agora não! Sai pra lá Schumacher!!!! Hoje não! 

Decidi estudar com o dobro da dedicação de antes! Fiz loucuras para isso: natal e ano novo minha família não contou com minha presença (moro sozinho e infelizmente não pude vê-los); por vários dias minha casa precisou de uma faxina que ficou pendente, em nome dos estudos; quase perdi a namorada novamente (tive que dar uma escapada à casa dela no natal e voltar rapidamente, senão já era!), litros de café (cheguei a comprar uma cafeteira expresso para ele sair com mais cafeína ainda!!!), tirei a televisão da tomada, simplesmente não sabia nada que estava acontecendo no país nem no mundo, só nos meus livros (isso ajuda muito, recomendo muito isto!). Chegava a esquecer a hora (quantas vezes já era meia noite, uma da manhã, e ainda estava estudando). Levava os livros comigo aonde podia, lia em qualquer momento que conseguia. 

Entre o natal e o ano novo, comecei a fazer mapas mentais, que ajudaram ainda mais. Para todos os à minha volta, eu parecia um lunático antissocial, obcedado (estes os adjetivos mais respeitosos, que nunca me falaram pelo menos pessoalmente). Mas eu sabia bem o que queria, o que iria atingir. Sabia muito bem.

Viagem para Campinas. Na véspera da prova, não consigo dormir direito, de tanta ansiedade (e também porque aquele quarto de hotel não tinha ar-condicionado naquele calor de quase 40º). Acordo cedo e vou até a Metrocamp, onde ocorre a prova. Terminei o último parágrafo da prova discursiva a cinco minutos de tê-la recolhida (não estou acostumado a apenas uma hora de prova!). Mas saindo de lá, tive a certeza de que poderia aguardar boas notícias! Três semanas depois a prova do TRT2, São Paulo, meu objetivo desde o início. Fiz tranquilo, já que já esperava algo da prova de Campinas. Técnico de manhã e Analista Administrativo à tarde. 

Eis que no ranking preliminar estou bem também no TRT2. Parece então que chegou minha hora, finalmente, depois de tantos anos e tantos sacrifícios! 

Sai o resultado preliminar de Campinas. Meus amigos de prova, no Facebook, começam a enviar mensagens às 7 da manhã. Como não tinha acesso a computador no trabalho naqueles dias, tentei de todas as formas baixar o Diário Oficial no celular, sem sucesso, até que finalmente um amigo me envia o arquivo anexo e consigo abrir e ver minha 13º colocação para Analista Administrativo. Tentei segurar as lágrimas mas não deu. Era a realização, a certeza de que tudo não foi à toa!

Depois da euforia a contenção, pois ainda haveriam os recursos devido aos problemas da prova. Várias pessoas entrando com recursos, eu precisava aguardar até o instante final. Pelo menos até a última sexta feira, 04 de abril: agora sim, 14ª colocação confirmada (alguns recursos deferidos, uma única alteração de colocação pra mim). Em breve, novo servidor de Campinas, com mérito, sacrifício, lágrimas...

Contei toda esta história (ficou longa, não é?) para demonstrar que lá no começo, quando eu ainda era office-boy, não tinha (nem poderia) ter noção de tudo pelo que passaria até o dia de hoje. Se alguém me dissesse naquele momento que eu chegaria a ser Analista do Tribunal do Trabalho, não acreditaria. Mas algo dentro de mim me empurrava para a frente, e eu tive a felicidade de não bloquear este impulso!

Então, caro(a) leitor(a), desconsidere a grande maioria das pessoas que irão tentar lhe desincentivar. Dizer que é difícil, impossível, que você estará perdendo tempo estudando tanto... que você deveria tirar um tempo para descansar (eu não tirei e não me arrependo). Perdi sim várias coisas, até um provável casamento por conta disto, mas ganhei uma grande amiga e uma excelente carreira. Foi minha escolha! Sua escolha pode ser diferente, mas a força com que você lute por ela, recomendo que seja, se não igual, maior! 

Em um país em que em diversos lugares o clientelismo, o patrimonialismo e os conchavos pipocam no serviço público, é de nós, servidores públicos por profissão e convicção, treinados e disciplinados para servir (À SOCIEDADE, não a interesses escusos),  é nosso papel lutar para estarmos em cargos cada vez mais altos, buscar cada vez mais desafios,  para que a Administração Pública brasileira se profissionalize, e haja menor espaço à corrupção e ao nepotismo. Meritocracia é nosso lema: defendemo-lo a todo custo! E para isto, você tem que estudar, atualizar-se, ganhar experiência nos mais diversos cargos públicos possíveis, e focar exatamente o ponto que idealizou. É possível, basta você começar a rumar na direção certa!

Também sublinho que nunca o valor do salário foi meu guia principal. Saí da Justiça Federal para ganhar menos na Secretaria da Educação. Saí dos Correios para ganhar menos como auxiliar administrativo (havia o adicional noturno e os tickets alimentação que aumentavam brutalmente o salário). Não era o salário que me atraía: eram as possibilidades daquele cargo, naquele momento de minha vida. Conheço muitas pessoas que pensam primeiro nas cifras, e depois de alguns anos no novo cargo, vendo a falta de progressão na carreira, ou a total falta de identificação da área em que trabalham, tornam-se servidores medíocres. Este é o termo certo, por mais duro que seja: medíocre é aquele que só pensou no dinheiro que iria ganhar, e não na função que iria exercer. Perde a sociedade, perde a saúde do servidor: pense nisso!

Quer saber como identificar qual seria o melhor cargo para você? Pense onde você seria mais útil para a sociedade. Pense em que área pública você foi tão mal atendido que saiu certo de que se estivesse do outro lado do balcão, tudo seria diferente. Pense naquela repartição pública em que seu documento ficou parado mais tempo do que o normal por falta de um carimbo, e da janelinha do protocolo você imaginou mil procedimentos diferentes para melhorar tudo aquilo. Ou então pense em qual área você se sentiria fazendo o bem para a maior quantidade de pessoas possível? Imaginou? São estes lugares precisam de você. Não use o serviço público como trampolim para sua carreira: faça de sua carreira um trampolim para melhoria do serviço público.

Fica aqui o agradecimento ao Professor Júnior Leite do Portal Concurseiros Ligados no TRT pela homenagem e lembrança, certo de que esta vitória na minha carreira é devida em parte ao seu auxílio, e sempre lembrarei disto! Além dos ensinamentos diários, a CLT comentada que ganhei em sorteio realizado em seu site foi um dos grandes livros que me trouxeram até aqui, além das palavras pessoais de apoio que sempre recebi! Os grandes amigos conhecemos nos piores momentos, e você professor, será sempre esse grande amigo!

Um grande abraço!
Adilson Cabral
Futuro Analista Administrativo do Tribunal do Trabalho da 15ª Região - Campinas

8 comentários:

  1. Muito feliz pela homenagem feita no Portal Concurseiros Ligados no TRT que tanto me acompanhou nos últimos meses! Graças ao seu auxílio, à CLT comentada da LTR que ganhei no sorteio realizado no site, às dicas diárias do site, pude me inteirar do que ocorria no mundo dos Tribunais do Trabalho. Professor Júnior Leite, serei eternamente grato! Continue com este trabalho maravilhoso! Contarás sempre com este amigo para o que precisar!
    Adilson Cabral

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  2. Muito bonita a sua história, Adilson! Parabéns pela força, determinação e, agora, por ter chegado aonde queria!

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  3. Quando vai sair o resumo desse texto?
    Meu deus, um enredo de carnaval... saudades da discursiva FCC de 30 linhas...!!!!

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  4. Parabéns cara! Eu não consegui passar, mas a sua história vai me inspira a continuar na luta!! Boa Sorte.

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  5. NÃO DESISTIR. Era isso que eu precisava ler agora. Obrigado por compartilhar sua história. =)

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  6. essas são historias que nos da mais força e vontade de seguir com nossos objetivos .parabéns pela sua história de vida sucesso e felicidades.

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  7. Obrigado a todos. O intento era este mesmo, que eu pudesse mostrar a todos que não se pode desistir. Passei por momentos em que nem mesmo eu acreditava em mim mesmo, mas decidi que iria até o final. Espero que nenhum de vocês desista, pois isto dará mais valor ainda a todo sacrifício que foi dado. Peço desculpas pelo tamanho do texto, tentei ser o mais conciso possível, mas acho que consegui passar um pouco da mensagem que pretendia. Um grande abraço a todos! Mais uma vez, obrigado professor Júnior Leite! Adilson Cabral

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  8. Parabéns pela luta, Guerreiro!!!
    Estou me esforçando para logo logo sermos companheiros de trabalho.
    Grande abraço!

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